O Homem na Praça

Todos os dias, no mesmo lugar, o homem destoava da decoração alegre e animada da bela praça: um monumento com árvores variadas, cheias de força e de vida; enquanto o homem, com sua magreza e palidez, sobrevivia de migalhas e sofria para manter seus olhos cansados na direção do horizonte.

Para alguns, era apenas um mendigo preguiçoso que preferia pedir a trabalhar; não visavam nenhuma deficiência que impedia o pobre homem de ter dignidade. Para outros, um miserável malfadado e esquecido, como algo descartável, sem valor; algo que não lembrava um ser humano. Algo desumano. E, para todos, uma pedra nos caminhos de tantas vidas iguais a dele. Uma pedra que, de tão fácil desviar, tornava-se invisível. E a cada dia ele sumia como some a esperança dos rejeitados de poder contar um dia a menos nessa vida e um dia a mais nesse mundo.

Mas quando o teatro musical situado em frente à praça foi desocupado, pra dar lugar a um centro comercial, o homem se levantou. E, como quem encontra um amigo que há muito não via, sentou-se no banco do piano esquecido – assim como ele foi um dia, no alvoroço da mudança. Surpreendentemente, começaram a dialogar e o instrumento parecia uma continuação do homem. Como um caso do destino, o acaso se fez presente e o descaso findou.

 As pessoas se tomaram imóveis perante a sinfonia que dançava entre homens, mulheres, crianças e árvores. Uma melodia que aguçava os sentidos e a memória. Ergueu-se um palco natural e o espetáculo parecia uma obra-prima dos deuses da arte. Finalmente, uma só dúvida penetrava naquelas mentes apressadas, ou melhor, maravilhadas: quem era aquele homem e qual seria a sua história?

Sense8 e os multiversos modificando as histórias

Resenha Por: Erika Pessanha

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A maioria das pessoas se sentem inteligentes quando compreendem uma trama, EU não acho que sou inteligente quando eu sei o que vai acontecer na próxima cena, aliás, quando assisto um filme prefiro que ele me faça sentir MUITO burra, para que através da película eu busque algum tipo de conhecimento.

O conceito de Multiverso, que é o que há de novo nos conceitos de física, se abraça a filosofia da linguagem criando tramas com caminhos livres, descompromissados de resultado.

Sense8 é um roteiro construído na base de sensações e experiências e por isso representa a geração vigente, o seriado consegue abordar a diferença desta para as anteriores sob diversos ângulos, os irmãos Wachowski, que por algum tempo falaram em matrizes, explicitam nesse seriado o resultado que a comunicação gerou no consciente humano, e metaforicamente no inconsciente.

Não dá para olhar para esse roteiro tentando analisar o arco longo da trama, a história é para ser saboreada com breves mordidas e ponto, pouco importa apresentações, confrontos ou finais. Bom, o que há de novo no sentido dessa nova geração, é o fato do presente ser o mais importante de tudo, a culpa em função disso é abolida do dicionário, os conceitos de moral estão se modificando a passos largos, as relações estão se estreitando de forma absurda sendo que o termo “amizade virtual” perde o sentido.

Cada segmento de trama, cada acontecimento, é montado em diversas cenas, pois os personagens da história residem em países diferentes, então de certa forma o roteiro aborda linearidade, no sentido de ser multifacetado, é em função dessa colcha de retalhos que eu cito as teorias do multiverso, além do conceito de salto quântico.

Fora isso, todas as emoções humanas estão nuas e cruas em Sense8, diversos momentos catárticos, a série consegue cumprir o propósito de nos fazer crer que jamais estamos sós, sem usar a religião para isso e sem mascarar as “falhas” dos seres humanos.

Talvez o cinema sempre devesse ter sido à base de sensações e não de uma trama espectacular que esquecemos dela assim que ela acaba.

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“Foi Apenas um Sonho”, um filme sobre o “carma” de ser alguém “especial”.

Numa tarde tediosa de um domingo qualquer, eu tive novamente uma grata surpresa ao escolher um filme para assistir. Assim como “Um Dia” e “Sete Vidas” me surpreenderam de formas diferentes; “Foi Apenas Um Sonho”, me marcou a ponto de recomendá-lo a todo mundo para que eu pudesse ter com quem falar sobre o filme.

A estória acompanha o casal, Frank e April que se conhecem bem jovens quando ainda borbulhavam de sonhos a serem realizados. Ao passar dos anos, eles vão murchando diante das adversidades da vida. Frank tem um emprego bem remunerado, mas que não gosta; enquanto, April é uma frustrada dona de casa que desistiu de ser atriz. Eles vivem entre manter a estabilidade adquirida e realizar seus desejos.

Somos introduzidos à estória vendo de forma não linear a trajetória do casal: desde que se conheceram à monótona vida de casados. O acúmulo de frustrações e desilusões afetam diretamente a vida da família, causando brigas e discussões. O enredo começa a ganhar força quando April na noite de aniversário do marido, apresenta-lhe um plano ambicioso para sair de um marasmo sufocante: se mudar para Paris. Fazendo um paralelo, você já se sentiu ou se sente assim? Vendo sua vida parada e padronizada como as dos demais, porém nota que pode fazer diferente, viver como quer e não como a sociedade quer.

Contagiado pela empolgação da esposa, Frank aceita viver esse sonho e os dois começam a fazer planos. Não há sensação melhor do que estarmos empolgados com a realização de um desejo: vemos tudo pelo melhor prisma, somos otimistas ao extremo e o que normalmente achamos loucura torna-se totalmente plausível. Por falar em loucura, é exatamente num louco, John, filho de uma amiga do casal que percebemos os ventos que sopram a favor das pessoas que decidem arriscar uma vida segura por um sonho. John parece ser o único que entende a vontade do casal de sair daquela vida; ou como eles mesmo definem: do abismo sem esperança.

“Muitas pessoas mergulham no abismo, mas é preciso coragem para enxergar a desesperança” – John

Quando decidimos lutar por nossos sonhos é preciso muita determinação mesmo quando somos incentivados, por que tudo ou quase tudo nos leva a desistir. As adversidades são inúmeras e cada uma maior que a outra. Aparecem pessoas determinadas a nos desmotivar; muitas têm medo que quebremos a cara, mas em geral são pessoas que simplesmente não conseguem ver além do que os olhos mostram.

No filme, os vizinhos do casal são essas pessoas. Apesar de admirarem, Frank e April e a vida que eles levam, fato que os deixam ainda mais incrédulos da decisão, acham a mudança uma loucura sem cabimento. Mas uma cena do casal de vizinhos mostra como essas pessoas precisam de outras que concordem que é loucura largar uma vida segura para não acharem que eles são os loucos. E por trás de toda reprovação se esconde uma certa inveja da coragem de arriscar tudo por uma suposta felicidade.

Para finalizar, não vou contar o fim do filme, espero que assistam e se surpreendam descobrindo se o fato da rua em que o casal mora se chamar estrada revolucionária ( Revolutionary Road, nome que dá título ao livro e ao filme original) acompanha os como uma premonição ou se torna uma chacota. Mas esse filme me fez refletir sobre o que nos torna especiais, capazes de ir além, de realizar nossos sonhos. Será que é a coragem de enxergar a desesperança? Será a falta de conformismo e apego a coisas materiais e status? Será o medo de ter passado pela vida e tê-la visto passar sem ao menos nos notar? Ou será um simples desejo incontrolável de viver? São muitas as opções e pode ser tudo isso junto. Faça sua história valer a pena. Faça com que seus sucessores abram um sorriso ao ouvirem o que você viveu.

Obs: Nessa mesma temática eu indico também “O Conto da Ilha Desconhecida” de José Saramago, que também tem resenha no blog.

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Depois da Paixão

“Está tão difícil encontrar alguém.” Quantas vezes você já ouviu essa frase? Muitas? Talvez você mesmo já a tenha dito. Mas será que está mesmo ou será que as pessoas não estão preparadas para o que vem depois?

O problema pode estar nas relações superficiais e imediatas. Quando conhecemos uma pessoa que compartilha os mesmos gostos, interesses e sonhos, logo nasce uma grande afinidade; e pra se apaixonar é um pequeno passo, principalmente se estivermos sozinhos. Imaginamos um príncipe ou uma princesa de conto de fadas, ficamos cegos ao que não nos interessa e mesmo quando vemos, ignoramos.

A paixão é maravilhosa. Ela nos tira do chão, nos tira o ar e nos tira o bom senso. Ela nos faz cantar no meio da rua, nos faz rir de piada sem graça, nos faz ensaiar falas em frente ao espelho, entre outros sintomas ainda mais constrangedores que só quem sofre de paixonite aguda conhece. A paixão nos faz criar um país de maravilhas e isso é importante pra fortalecer o sentimento que nutrimos em relação ao outro.

Mas a paixão é o fósforo lançado à trilha de pólvora. E depois da explosão a realidade vem à tona: dois seres nus, desprovido de fantasias e decorações. O tempo trará uma questão implacável: entrelaçar-se ou não à vida do outro, e o outro à sua vida? Além de mostrar que nada sobrevive só de paixão, só de tesão e desejo.

É preciso amor, é preciso amar. É preciso estar disponível. É preciso ser bom ouvinte. É preciso interessar-se. É preciso dar-se. É preciso receber. É preciso precisar. É preciso saber que aquela pessoa não é tudo que você sonhou, mas que ela sonha com você. Saber que ela tem uma história antes de você e que pode influenciar nessa nova história. É preciso conhecer seus defeitos, suas angústias e medos.

O Amor só vem com o tempo e amar é saber que a perfeição não existe. Só se ama por inteiro. Ama-se também os defeitos que fazem da pessoa o que ela é. E assim se constrói o amor-próprio do casal: sabendo que podemos confiar, que podemos baixar a guarda e mostrarmos que as vezes sangramos e precisamos de alguém pra nos levantar.

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O Vendedor de Sonhos

Olha! Olha! Olha! Está passando agora na sua rua o vendedor de sonhos! Não perca essa promoção! Sonhos a todo custo, pague o que você puder, venha nos visitar na carroça dos sonhos, tenha coragem!

Pra você que está desanimado, está se sentindo sem rumo. Pra você que está vendo a vida passar como essa carroça cheia de coisas boas e não tem desejo de correr atrás dos seus sonhos. Abra sua janela, respire o ar como uma benção dos que não vivem apenas por viver. Veja que seu sonho pode estar mais perto do que imagina, pode estar a uma esquina.

Temos todo tipo de sonho, um com certeza combinará com você. Sonhos doces, sonhos picantes, sonhos loucos, sonhos com amor, serenidade e paz, sonhos com adrenalina, paixão e inquietude.

Não demore, a carroça não para, ela se vai num piscar de olhos. O seu sonho está aguardando, mas o momento certo pode passar. E nunca se sabe em qual esquina vai encontrá-lo novamente. O caminho até o seu sonho pode não ser um jardim de rosas, mas ele existe. Corra atrás do seu sonho.

estrela

A Arte de Procrastinar.

Vamos lá! Tenho que escrever hoje. Mas vou escrever sobre o quê? Tantas ideias e ao mesmo tempo nenhuma. Vou dar uma olhada no Facebook pra ver o que tá rolando, de repente um vídeo, uma frase… Alguma coisa vai dar uma luz. Não, vou sair do “Face”, não posso ficar dependendo de inspiração.

Hum… Já sei, vou escrever um conto de amor. Vou só abrir meu E-mail, rapidinho. Caramba! Tenho que entregar esse texto amanhã. Concentra! Vai ser sobre um escritor se separando da mulher. Não! Vai me lembrar a Manu. Por falar nisso, ainda tenho que buscar o resto das minhas coisas. Só amanhã, hoje eu vou escrever, mesmo que leve o dia todo… Bom… Já que eu tenho o dia todo, vou preparar um café, não existe texto bom que não seja movido a café.

Pronto. Mãos à obra. Um e-mail novo, é da Manu, quer conversar comigo sobre o carro, e diz que eu posso ficar com a moto. Sempre teve pena de mim por ser escritor, No começo admirava, elogiava os poemas que lhe mandava, mas ela é muito materialista, nunca soube apalpar as letras. Depois eu respondo, não vou tratar como Pelé, quem me trata como Valdir bigode.

Já sei vou dormir um pouco, de repente eu tenho um sonho proveitoso. Acho que vou escrever sobre insônia ou sobre como a gente pensa tanto quando está deitado pra dormir. Não, eu tenho um trabalho e não vou furar, vou voltar pro computador. Plim! Blom! Essa merda da campanhia só toca na hora errada. Manu?!

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Livro(me).

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Livro(me) da ignorância,
Livro(me) da monotonia,
Livro(me) da prisão,
Livro(me) da solidão,
Livro(me) da certeza,
Livro(me) do tempo,
Livro(me) do sono,
Livro(me) do escuro,
Livro(me) do mundo,
Livro(me) do adeus.
Eu, livro,
E te livro.